“Mesmo dopada, saí na rua pedindo socorro”, diz mulher perseguida pelo ex

08/04/2026 15:51
Marcas em perna da vítima. Foto: Reprodução
Machucado vítima CG
Por: Redação Veja Folha / CG News |  MS
Uma mulher de 34 anos vive em estado de alerta em Campo Grande após denunciar sequência de agressões, ameaças e perseguição cometidas pelo ex-companheiro, um caminhoneiro de 28 anos que, segundo ela, não aceita o fim do relacionamento.
O caso, registrado em boletins de ocorrência e acompanhado por medida protetiva, envolve relatos de violência extrema e terror psicológico.
A vítima afirma que, mesmo após buscar ajuda na DEAM (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher), o ex continua intimidando, vigiando e ameaçando-a de morte.
O episódio mais grave ocorreu no dia 13 de agosto, no Bairro Nova Lima, onde morava com o agressor. Segundo o relato, ela foi dopada com uma seringa de diabetes, perdeu os sentidos do corpo e passou a sentir tontura e visão turva enquanto era agredida e ouvia ameaças que descreve como “absurdas”.
Mesmo debilitada, ela conseguiu sair para a rua e pedir ajuda, o que, segundo ela, foi decisivo para que não fosse morta. “Se eu estou viva é por Deus. Mesmo dopada, eu saí pedindo ajuda na rua”, desabafou. A mulher relata que a sensação era de apagamento total do corpo, como se não tivesse mais controle sobre si. “Perdi todos os sentidos do meu corpo. Do joelho para cima fiquei anestesiada, visão turva, tonta”, contou, descrevendo que, nesse estado, foi atacada com violência física, levando coronhadas nos seios, nas costas e na barriga.
Entre as frases ditas pelo ex, ela afirma que ouviu que teria tiros disparados em suas partes íntimas e que seria jogada nua em um local conhecido como “Inferninho”. “Ele falava que iria matar minha mãe”, relatou, afirmando que o nível de crueldade aumentava conforme ela demonstrava medo ou tentava pedir socorro.
Além das ameaças direcionadas a ela e à mãe, a mulher diz que os ataques também envolvem seus animais de estimação. “Ele falou que iria enfiar um ferrinho no ânus do meu cachorro. Inclusive ele deu a injeção no meu cachorrinho”, afirmou.
Ela também acusa o homem de já ter matado um cachorro e colocado o corpo em cima do sofá da casa, como forma de intimidá-la e demonstrar poder.
A vítima conta que o relacionamento começou em 10 de abril e, no início, o homem parecia calmo e confiável. Ele teria dito que tinha uma casa e, acreditando que estava iniciando uma vida ao lado de alguém responsável, ela levou seus pertences e passou a morar com ele. “No começo ele parecia uma pessoa tranquila, só que a partir do momento que fui morar com ele, mudou o comportamento”, disse.
Ela descreve que passou a viver sob um clima constante de tensão e controle, com brigas frequentes e agressividade principalmente relacionada às responsabilidades da casa. O que começou como discussões evoluiu para um ciclo de humilhação, ameaças e medo diário, caracterizado por episódios que ela chama de terror psicológico.
A situação teria se agravado ainda mais após a tentativa de separação. A vítima afirma que o homem passou a persegui-la de forma insistente e que, mesmo depois de procurar a polícia, ele continuou invadindo sua privacidade.
Segundo ela, o agressor clonou seu número de telefone e mexeu em suas redes sociais. “Ele já mexeu na minha conta bancária, colocou pessoas para me perseguir, clona meu número, mexe nas redes sociais… ele não está me dando paz”, contou.
Com medo de ser morta, ela procurou a Deam e registrou boletim de ocorrência no dia 4 de julho de 2025, quando solicitou medida protetiva. Depois, em 22 de julho, fez um novo registro, reforçando que as ameaças continuavam e que o agressor não aceitava o fim do relacionamento. “Ele precisa ser preso, ele não para de me perseguir”, afirmou.
Casos de violência doméstica podem ser denunciados pelo telefone 180 (Central de Atendimento à Mulher) e, em situações de emergência, pelo 190.
A orientação é que vítimas busquem ajuda imediatamente, mantenham registros de ameaças e acionem a polícia sempre que houver descumprimento de medida protetiva.
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