Santiago Peña anuncia renúncia à Presidência do Paraguai em meio à crise do Ueno Bank, que deixou milhões de clientes sem acesso às contas

05/11/2026 13:38
Presidente do Paraguai
Por: Redação Veja Folha |  São Gabriel do Oeste
O presidente do Paraguai, Santiago Peña, anunciou nesta quinta-feira (5) a renúncia ao cargo, em meio à crise política e financeira provocada pelo caso Ueno Bank.
A decisão foi comunicada em uma mensagem divulgada nas redes sociais, enquanto parlamentares discutiam a abertura de um processo de impeachment contra o presidente.
Ao anunciar a saída, Peña afirmou que tomou a decisão pensando na estabilidade do país, na paz social e na preservação das instituições democráticas. “Faço isso pensando na estabilidade do nosso país, na paz social e na necessidade de preservar nossas instituições democráticas”, declarou.
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O presidente também pediu desculpas à população por eventuais falhas durante sua administração e afirmou que não teve a intenção de decepcionar a confiança dos paraguaios. “Quero pedir desculpas ao povo se em algum momento falhei. Nunca foi minha intenção decepcionar a confiança que depositaram em mim”, afirmou.
Ainda na mensagem, Peña destacou preocupação com os clientes do Ueno Bank e defendeu a proteção dos recursos depositados na instituição.
A renúncia ocorre após o Banco Central do Paraguai determinar, no início da semana, o procedimento de resolução do Ueno Bank, instituição que atende aproximadamente 3 milhões de clientes. A medida foi tomada depois que os órgãos reguladores identificaram problemas no índice de solvência do banco, que ficou abaixo da metade do mínimo exigido.
A decisão deixou milhões de correntistas temporariamente sem acesso às contas e provocou protestos e cobranças por respostas sobre a situação dos depósitos.
O caso também levou à abertura de investigações e à detenção de oito pessoas ligadas à instituição, segundo informações divulgadas pela imprensa internacional.
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Um dos pontos de maior repercussão envolve a antiga participação societária de Peña no Grupo Vázquez, controlador do banco. O presidente manteve vínculo acionário com o grupo até março de 2025. A relação passou a ser questionada por parlamentares, que levantaram suspeitas de conflito de interesses na condução da crise.
Na quarta-feira (4), deputados da oposição apresentaram uma articulação para submeter Peña a um processo de impeachment. As acusações envolvem possíveis conflitos de interesse e questionamentos sobre a atuação do governo e dos órgãos de fiscalização. As suspeitas ainda precisam ser apuradas e não representam comprovação de responsabilidade criminal do presidente.
Sucessão presidencial
Com o anúncio da renúncia, o vice-presidente Pedro Alliana é o próximo na linha de sucessão. A formalização da saída, porém, depende da tramitação constitucional no Congresso paraguaio. Caso seja aceita, Alliana deverá assumir o comando do país e concluir o atual mandato, previsto para terminar em agosto de 2028.
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Quem é Santiago Peña
Aos 47 anos, Santiago Peña é economista e integrante do Partido Colorado, uma das forças políticas tradicionais do Paraguai. Nascido em Assunção, em 16 de novembro de 1978, construiu carreira na área econômica antes de ingressar na política.
Formado em Economia pela Universidade Católica Nossa Senhora da Assunção, também possui mestrado em Administração Pública pela Universidade Columbia, nos Estados Unidos. Trabalhou no Banco Central do Paraguai e teve passagem pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), em Washington.
Entre 2015 e 2017, comandou o Ministério da Fazenda durante o governo do ex-presidente Horacio Cartes, seu aliado político. Venceu as eleições presidenciais de abril de 2023 e assumiu a Presidência em 15 de agosto daquele ano.
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