Polícia descarta indícios de crime em queda de caminhonete no Rio Ivinhema

03/11/2026 16:13
Acidente Rio Ivinhema
Por: Redação Veja Folha / CG News | MS
A Polícia Civil trata como acidente a queda de uma caminhonete no Rio Ivinhema, na região de Angélica, na noite de domingo (1º). A investigação aponta que o casal entrou na água por engano, ao confundir a rampa de acesso ao rio com uma estrada alagada.
Estela Thomazetto, de 48 anos, foi encontrada morta dentro do veículo, enquanto João Luiz dos Santos, de 56, continua desaparecido. O delegado Gustavo Oliveira, responsável pelo caso, descartou, até o momento, indícios de feminicídio ou suicídio.
“Inicialmente, trata-se de um acidente, uma fatalidade. Não há qualquer indício de feminicídio ou suicídio”, afirmou o delegado, que apresentou nesta terça-feira (3) os resultados preliminares da investigação.
PUBLICIDADE
Segundo Gustavo, vários fatores contribuíram para o acidente. O casal não conhecia a área, localizada em um condomínio fechado, e não morava nem havia alugado imóvel no local. Para a polícia, os dois acessaram a propriedade por engano.
As condições das estradas da região também podem ter provocado a confusão. Conforme o delegado, há trechos alagados em que a água chega à altura das rodas de veículos altos, como a caminhonete S10 utilizada pelo casal. Por isso, os ocupantes podem ter acreditado que estavam atravessando mais um trecho de estrada coberto pela água.
Outro fator considerado pela investigação é o possível consumo de álcool. Gustavo afirmou que testemunhas relataram que as vítimas passaram o dia ingerindo bebidas alcoólicas. Ainda não há resultados de exames que confirmem o consumo ou indiquem eventual influência sobre a capacidade de dirigir.
PUBLICIDADE
A análise das imagens de segurança também reforçou a hipótese de acidente. Segundo o delegado, Estela aparecia sentada normalmente no banco do veículo, com uma das mãos segurando a alça de segurança, geralmente utilizada pelos passageiros durante a passagem por obstáculos.
“Não havia ninguém a segurando, tampouco estava agitada ou havia qualquer outro elemento que sugerisse estar em uma discussão ou sendo levada à força”, explicou Gustavo.
Os peritos também observaram que os gritos de socorro dela começaram somente quando a caminhonete já estava dentro do rio e afundava.
Outro detalhe identificado nas gravações foi a reação do motorista. Quatro segundos depois de entrar na água, ele acionou o freio e engatou a marcha à ré, conforme a análise das luzes traseiras do veículo.
Para a Polícia Civil, a tentativa de retornar demonstra que o condutor percebeu o erro quando a caminhonete já estava na água.
PUBLICIDADE
O delegado explicou que o nível elevado do rio encobria o declive acentuado da rampa de acesso. Em apenas quatro segundos, a água já havia tomado a cabine e coberto as portas, dificultando a saída dos ocupantes.
A profundidade também contribuiu para a gravidade do acidente. Conforme a investigação, o rio chega a seis metros logo nos primeiros metros da rampa. Com a pressão exercida pela água, a abertura das portas se torna extremamente difícil.
A análise pericial das imagens indicou ainda que nenhum dos ocupantes conseguiu sair da caminhonete enquanto ela afundava. Uma das portas teria se aberto somente quando o veículo já estava no fundo do rio, possivelmente devido à pressão da água.
A hipótese dos investigadores é que o homem tenha sido lançado para fora nesse momento. A força da correnteza deslocou a caminhonete por aproximadamente 40 metros no fundo do rio.
PUBLICIDADE

 

Gustavo também afirmou que a investigação não encontrou histórico de violência entre o casal ou qualquer outro elemento que sustente a suspeita de crime.
“Não há qualquer indício de morte intencional. Não há histórico de violência entre o casal, nem qualquer outro elemento que, até o momento das investigações, sugira outra linha investigativa que não a de acidente por erro de percepção”, declarou.
O Corpo de Bombeiros mantém as buscas por João Luiz dos Santos, que até a tarde desta terça-feira ainda não foi localizado. A mulher foi encontrada na segunda-feira (2), dentro da caminhonete submersa.
O trabalho dos mergulhadores enfrenta dificuldades devido ao nível elevado do Rio Ivinhema, à correnteza forte e à água turva, que reduz a visibilidade durante as buscas. A Polícia Civil mantém a hipótese de acidente por erro de percepção como principal linha de investigação.
** Envie fotos, vídeos, e converse com
a redação do Veja Folha pelo WhatsApp
(67) 99901-5295 
No data was found
Please select listing to show.
No data was found