Curso inédito de línguas Terena e Guarani Kaiowá avança com interlocução de Viviane Luiza

18/08/2026 14:28
Foto: Divulgação
Viviane Luíza
Por: Redação Veja Folha |  MS
Luta de 10 anos, o curso de Letras com especialização nas línguas Terena e Guarani Kaiowá está mais próximo da realidade depois da interlocução da candidata a deputada federal Viviane Luiza, ex-secretária de Estado da Cidadania de Mato Grosso do Sul. A assinatura da autorização aconteceu em julho, durante o evento Pantanal Tech, e, agora, a expectativa é pela formação da comissão e pelo lançamento do edital, que será inédito no Brasil.
A iniciativa também reforça o pioneirismo da UEMS (Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul) na inclusão dos povos indígenas no ensino superior. Desde 2002, a instituição é a primeira universidade brasileira a reservar 10% das vagas de todos os cursos de graduação para estudantes indígenas. Atualmente, 45% das vagas da universidade são destinadas a cotistas.
“A alma do povo está na língua, é o que determina nossa visão de mundo”, descreve o professor da Uems (Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul) e coordenador do NEAD (Núcleo de Estudos em Análise de Discurso), Marlon Leal Rodrigues, sobre a importância do curso para a comunidade acadêmica.
Segundo o docente, em 2016, um ex-aluno Terena desenvolveu um trabalho e apontou que havia necessidade de um curso como este. Na ocasião, foi criada uma especialização em Língua e Cultura Terena, mas a ideia de uma graduação persistiu. “Muitos jovens indígenas não falam o idioma. E hoje existe um movimento internacional de estudar as línguas indígenas para serem ensinadas de novo.”
Para embasar a proposta, a universidade percorreu diversas aldeias indígenas pelo Estado, conversando com lideranças, comunidades e professores. “Fizemos a proposta, percorremos mais de 15 aldeias indígenas, conversando com as lideranças, com a comunidade, com os professores. Foi quando comentaram com a gente que a Viviane tem essa pauta de questões indígenas. Ela sinalizou apoio e serviu de nossa madrinha junto ao governador Eduardo Riedel, que autorizou.”
“Isso para nós é muito importante, porque fortalece nossa identidade, nos fortalece enquanto indígenas do nosso Estado”, comemorou Fernando Souza, liderança Terena e candidato a deputado estadual por MS, que esteve na assinatura da autorização, durante a Pantanal Tech.
A professora Dália Terena também comenta. “Esse curso vem ao encontro das nossas necessidades. Eu tenho certeza de que é um fortalecimento da nossa identidade como indígenas.” De acordo com a professora Elizangela, essa é a finalização de um grande trabalho e concretização de um sonho. “Essa é a nossa casa, a Uems, acolhendo os povos originários.”
A ideia é que a primeira turma tenha início em 2027, com a oferta de 70 vagas.
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