Ferrugem-asiática avança rapidamente e Mato Grosso do Sul já soma 55 registros na safra de soja 2025/2026
16/01/2026 15:39

Por: Redação Veja Folha | MS
Mato Grosso do Sul enfrenta um crescimento acelerado dos casos de ferrugem-asiática na safra de soja 2025/2026. Levantamento do Consórcio Antiferrugem aponta 55 ocorrências confirmadas da doença até 16 de janeiro, número muito superior ao registrado no mesmo período da safra anterior, quando houve apenas 12 casos. Somente nas primeiras semanas de janeiro, 33 novos focos foram identificados, indicando avanço rápido do fungo no Estado.
A ferrugem-asiática é causada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi e é considerada uma das principais ameaças à produção de soja. A doença afeta diretamente a capacidade de fotossíntese das plantas, provoca queda precoce das folhas e compromete a formação dos grãos. Em ambientes com altas temperaturas e umidade — comuns em diversas regiões sul-mato-grossenses — o potencial de danos à produtividade aumenta significativamente quando não há manejo adequado.
Para a pesquisadora Cláudia Godoy, da Embrapa Soja, o aumento no número de notificações não significa, necessariamente, falha no controle. Segundo ela, o cenário indica maior circulação de esporos e reforça a necessidade de monitoramento constante e aplicação correta de fungicidas. “Os registros mostram que a ferrugem está presente e precisa ser manejada com eficiência. O produtor deve estar atento e adotar estratégias adequadas de controle”, explica.
Os primeiros casos da safra em Mato Grosso do Sul foram identificados ainda em novembro de 2025, com registro inicial no dia 27. Em dezembro, as ocorrências subiram gradualmente e fecharam o ano com 22 casos. Já em janeiro, o avanço foi mais intenso: em apenas 16 dias, o número mais que dobrou, chegando a 55.
Entre os municípios mais afetados, Naviraí lidera com 13 registros, seguido por Sete Quedas, com oito. Aral Moreira contabiliza quatro casos, enquanto Dourados, Laguna Carapã, Maracaju e Ponta Porã registraram três ocorrências cada. Também há notificações em cidades como Amambaí, Antônio João, Bonito, Caarapó, Coronel Sapucaia, Itaquiraí, Ivinhema e Sidrolândia, demonstrando que a doença está espalhada por diferentes regiões do Estado, principalmente no sul e sudoeste.
De acordo com a Embrapa, a maior concentração de casos no Sul do Brasil está relacionada a fatores como a sobrevivência da soja voluntária durante a entressafra, o calendário de semeadura e o nível de monitoramento das lavouras. Regiões com inverno mais úmido favorecem a permanência dessas plantas espontâneas, que funcionam como hospedeiras do fungo.
Mesmo com a existência do vazio sanitário — período em que o cultivo da soja é proibido e as plantas voluntárias devem ser eliminadas — ainda há registros significativos dessas plantas em áreas agrícolas, o que contribui para a manutenção do inóculo da doença. Além disso, áreas semeadas mais cedo tendem a registrar a ferrugem antecipadamente, sobretudo quando estão próximas a fontes de contaminação.
No Centro-Oeste, onde Mato Grosso do Sul está inserido, a proximidade da colheita geralmente reduz o impacto da ferrugem em comparação ao Sul do país. Ainda assim, o número elevado de ocorrências nesta safra serve de alerta para produtores e técnicos. Segundo Cláudia Godoy, embora outras doenças, como a mancha-alvo, também tenham grande relevância econômica, a ferrugem-asiática segue entre as principais preocupações.
Com o avanço da resistência do fungo aos produtos disponíveis, especialistas reforçam a importância do manejo integrado, com destaque para o uso de fungicidas multissítios associados, que atuam em diferentes pontos do metabolismo do patógeno. Essa estratégia reduz o risco de resistência e aumenta a eficiência do controle ao longo da safra.
O acompanhamento das ocorrências pode ser feito pelo aplicativo do Consórcio Antiferrugem, disponível para Android e iOS. Já informações sobre a eficácia de fungicidas estão disponíveis no módulo específico da Rede de Fitossanidade Tropical (RFT). Técnicos da Embrapa reforçam que a prevenção, aliada ao monitoramento contínuo e às boas práticas agronômicas, continua sendo a principal ferramenta para evitar perdas expressivas na produção de soja em Mato Grosso do Sul.
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